segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O miserável

Tive este domingo a pior experiência de sempre numa sala de cinema desde o "Unbreakable" de M. Night Shyamalan. De vez em quando é preciso ceder aos gostos da nossa mulher. Ela avisou-me que era um drama. Torci o nariz. Avisou-me que era um filme de época. Levantei o sobrolho. Avisou-me que era um musical. Chorei. Fomos ver Les Misérables.

Nunca antes tinha sentido vontade de abandonar um filme a meio. A primeira parte foi um festival de porrada que só eu sei o que custou. Parecia o combate final de um filme do Rocky, em que ele leva nos cornos até à exaustão, para sair vitorioso apenas no assalto final. Ou sobreviver, como fiz ao sair do shopping. Não li a obra original de Victor Hugo, mas uma coisa é certa. Nunca vou ler. Até pode ser que em livro a coisa esteja mais bem explicada, mas a compressão necessária para enfiar mil e tal páginas (?) em duas horas e meia de filme leva a que certas premissas sejam ridículas. Mas nada disso é o pior.

Eles cantam a toda a hora. A TODA A HORA. A TODA A HORA.

Um musical não precisa de ser todo cantado. Há alguns temas principais, entre os quais pode haver uma secção considerável de discurso normal. Ali, até a coisa mais diminuta é cantada. Imaginem que eram obrigados a viver a cantar até ao fim da vida. Lá está, não aguentavam nem uma hora. O filma dura mais do dobro.

♫Vou cagaaaaaaaaaar!

♫Está bem! Não te esqueças de baixar o tampo da sanita quando acabaaaareeeees!

♫Querida, o que é que há para jantaaaaaar?♫

♫Hoje é arroz com atuuuuuuuuuum!♫

♫Oh não, arroz com atuuuuum outra veeeez! Porque é que somos tão miseráaaaaaveeeis?♫

♫Não te preocupes, soltei um peeeeido! Agora até o cheiro do atum parece melhooooor!♫

E o filme é isto do princípio ao fim. Pow, pow, pow, pow, porrada em cima. Quando uma pessoa pensa que há uma parte mais calma, começam de novo a cantar, e eu já sem espaço para me enterrar mais na cadeira. Realmente não é filme para um homem, o que estava bem retratado pela distribuição de sexos na plateia. 70% eram mulheres, 30% homens, sendo que, desses 30%, tinham todos vindo acompanhados pelas namoradas ou mulheres, tirando um velhote que adormeceu algumas vezes e um casal de paneleiros, acho eu.

Sim, só podiam ser paneleiros.

7 comentários:

Limited Edition disse...

ahahahah!!! hilariante! também já tinha ouvido dizer que era cantado do início ao fim, daí não ter grande curiosidade. há uma versão com cerca de 10 anos muito boa, com a claire daines, geoffrey rus, liam neeson... e não é cantada!

AC disse...

Eu quero ir ver, Adoro um bom drama e nem me ralo nadinha que seja um musical.Choro mas a cantar...

Dizem que o filme é mesmo muito bom.

São disse...

Pessoalmente adorei o filme. Mas agora quase larguei umas gotas nas cuecas de tanto rir.

S* disse...

Eu já não queria ver, assim fujo do filme.

Anónimo disse...

O filme é absolutamente incrível. E esses comentários sexistas já passaram de moda ;)

faa m. disse...

Como gosto muito de cinema e filmes, tenho uma curiosidade em ver o filme, nem sempre gosto de musicais, alias, são poucos os musicais que gosto. Se é como dizes, a cantar por tudo e por nada, cheira-me que não me vai agradar lá muito.

Anónimo disse...

Mir nete tb fui enganado e fui ver essa pouca vergonha pior do que este só os cowboys rabixolas a rebolarem nas ervinhas. Um abraço do NewLeveL