sexta-feira, 29 de março de 2013

O Papa e a higiene pessoal

O Papa Francisco, apesar de ter iniciado agora mesmo o seu pontificado, começa já a inovar no que diz respeito aos costumes da Igreja Católica. A mudança não se deu ao nível do aborto, casamento homossexual ou eutanásia, por exemplo, mas sim na lavagem dos pés.

Francisco é um adepto ferrenho da higiene pessoal, tendo começado a demonstrá-lo já no início das comemorações pascais. De modo a que sirva de referência à humildade que a Igreja deve ter, decidiu lavar os pés a jovens reclusos. A inovação está no facto de dois dos visados serem raparigas. Os maldosos poderão dizer que é apenas a abertura de um precedente para no fundo lavar os pés apenas a raparigas, mas eu discordo. Fetiche de pés? Não, humildade na higiene. Não deu para ver a cara dos jovens, mas aposto que estavam felicíssimos. Quem não gostaria de estar descalço em frente à televisão, enquanto um velhote que não conhecemos nos beija os pés? Todos gostariam, obviamente. Só por isso, já valeu a pena ir preso.

Acontece que eu vi a dita lavagem dos presuntos e, apesar de achar que essa é mesmo a demonstração de humildade que a Igreja precisa de fazer, as boas intenções nem sempre correspondem a uma eficácia na limpeza e desinfecção. Quando eu aprendi a lavar os pés (quer dizer, foi mais as mãos e depois transpus a normativa lá para baixo), disseram-me que deveria utilizar sabonete. É claro que não tem necessariamente de ser sabonete (anos mais tarde até descobri que gosto mais de um cremoso gel de banho), mas o ponto mantém-se pertinente. Além disso, não é suposto passar água em toda a superfície a ser lavada? É que atirar umas mijitas de água lá para cima parece-me mais um baptismo ao contrário do que outra coisa. Sim, foi mesmo isso: o Papa Francisco foi baptizar pés a delinquentes. 

Tenho a forte convicção de que este gesto vai mudar profundamente as vidas daqueles moços. Duvido que venham a prevaricar no futuro. Mesmo que o façam, tenho a certeza de que os mais porquitos do grupo se lembrarão para sempre daquela sensação de frescura e, pelo menos, roubarão carros de pé lavado. Fugir da bófia com a sola minada de fungos é coisa dolorosa.

Já o beijinho no final da lavagem é apenas um bónus. É como um cupcake. Sem a cobertura é apenas um queque normal desenxabido. É como aspirarem os tapetes e o carro por dentro sem estarmos à espera quando deixamos o carro a lavar. Jesus também o fez e não foi por isso que lhe aconteceu alguma coisa de mal. Quer dizer, aconteceu, mas não foi devido a uma virose na boca contraída pela prática da humildade.


Sem comentários: