quinta-feira, 28 de março de 2013

Ser socialista é ter na alma uma chama imensa

Não sei se é assim em todos os países, mas sinto que no nosso, pelo menos, a política partidária é colocada no mesmo patamar da política que mais nos move, o futebol. De facto, eu próprio já me senti culpado de, nalguns momentos, ter adoptado esse paralelismo.

O único antídoto para este veneno é desligarmo-nos dos partidos e pensarmos apenas ao nível da ideologia e das medidas com as quais concordamos, só depois entregando a razão a quem espelha melhor as nossas convicções.

Hoje, no rescaldo do jogo de ontem (perdão, do debate), vejo-me obrigado a concordar que, às vezes, é mesmo impossível fugir a essa associação entre a lealdade a clubes de futebol e partidos políticos.

Quando a nossa equipa joga mal e perde, temos tendência para andarmos mais calados. Eu, adepto sportinguista, tenho andado calado mais tempo do que o normal. Já os adeptos dos principais clubes rivais, assim que se chega ao local de trabalho, fazem a vida negra a quem perdeu, por entre suspiros do visado (ou caralhadas, consoante a educação; eu sou mais pela vulgaridade).

Hoje, deve ser tramado ser-se do Partido Socialista. Por mais que se deteste o homem, por mais que se tente fazer oposição sem relembrar a ilusão que sua santa incompetência tentou impingir ao país durante anos, a verdade é que, se eu fosse socialista, hoje sentir-me-ia como se fosse do Benfica depois de um jogo em que o saudoso Roberto tivesse dado dois frangos.

José Sócrates jogou mal, muito mal. Jogou tão mal que causou embaraço aos pergaminhos do clube. Mário Soares deve estar a revirar-se no túmulo. Ah não, espera, afinal está vivo e continua a dizer disparates (é que se vamos recuar até Cavaco, podemos recuar até Soares e com sorte só paramos em D. Afonso Henriques). Mesmo a jogar durate 90 minutos com mais um homem do que o adversário (um acontecimento destes e é aquela preparação com que um jornalista entra nas quatro linhas? Djizass.), conseguiu fazer o inimaginável e entregar os três pontos à outra equipa.

E mesmo assim, no dia seguinte há sempre quem o defenda nas redes sociais. A culpa foi da arbitragem. A culpa foi do estado do campo.

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