terça-feira, 25 de junho de 2013

A moda das corridas

Sempre achei que correr só porque sim era uma coisa muito estúpida. Há tantos tipos de actividade física mais divertidos que fico pasmado com a quantidade de gente a correr por essa cidade fora. De vez em quando também sou um deles, mas mais por falta de melhor alternativa do que outra coisa.

Sou uma pessoa que gosta muito de catalogar tudo, e recentemente comecei a perceber que há três tipos de corredores: os homens, os paneleiros e os semi-paneleiros. Os homens são aqueles que correm em qualquer tipo de condições. Uns choviscos não os demovem da actividade. Correm na estrada, na praia e na serra. Não estão preocupados com escaldões ou se vão ficar sujinhos por causa da lama. Abrem a porta de casa, respiram fundo e simplesmente correm. Portanto, uma mulher atraente pode ser um homem sempre que cumpre estes requisitos, e é o único caso em que Deus não castiga se um tipo gostar de um homem desses.

Os paneleiros preocupam-se com o tipo de sola dos ténis, têm cores diferentes para todos os dias, e fazem upload dos dados do treino para os seus perfis na internet, sempre apoiados na última versão para a aplicação android ou iOS do momento.

Eu sou apenas semi-paneleiro. Não corro se estiver demasiado calor, é certo, mas também só tenho um par de ténis e não tenho vergonha de sair à rua com eles se estiverem porquitos. Uso o SportsTracker no meu smartphone já a acusar os anos porque gosto de saber a distância que fiz e as calorias que queimei (normalmente meço a exigência do treino em bolachas com recheio de chocolate; a minha corrida média corresponde entre duas a três bolachas do de chocolate do Pingo doce). No entanto, estou-me profundamente a cagar se estou a seguir o ritmo certo para a minha condição física ou se a minha pulsação indica que estou perto do colapso. Quando der o berro, deu (também nunca está perto do colapso porque às vezes fico tempos sem correr e depois por cada 500 metros que corro, ando outros 500; nunca sei se devo iniciar no telemóvel o treino em modo walking ou running nessas alturas).

Ando a tentar ficar mais disciplinado. Com sorte, um dia passo-me para o lado dos panilas. Mesmo não prestando ainda muita atenção a todos os parâmetros da corrida sei que, para ganhar resistência e perder massa gorda, não posso deixar a pulsação descer demasiado. É esta parte que torna correr em Lisboa uma actividade díficil. A menos que tenham um parque à porta de casa, há sempre uma data de semáforos no meio do caminho. Com as tshirts mais usadas que visto para correr, se descuro a passada mais acelerada e me deixo andar um bocado, em vez de um corredor pareço apenas um gajo pobre que não tem onde cair morto e que vai a arfar e a suar porque está com dificuldades em arranjar a próxima dose. Como ligo muito as aparências, recomeço logo a correr se noto que alguém pousa o olhar em mim de forma mais demorada, para não terem dúvidas acerca daquilo que ando a fazer.

Gostava, portanto, que partilhassem as dicas que têm para correr em Lisboa. É que um gajo, em nome da saúde e de uma perda de calorias acentuada, acaba por ter de se sujeitar sempre a alguns riscos...

4 comentários:

S* disse...

Não sofro dessa moda, detesto correr. Sinto-me simplesmente uma mamalhuda a correr, o que é patético.

a_secretária disse...

jardim da estrela! Ou outro qualquer, depende da localização!

Aaron Suzaku disse...

eu tenho um amigo que várias vezes me convida para ir correr mas.. correr não é para mim. logo, zero, não te posso ajudar.

eu sou como o teu primeiro paragrafo, correr é com um objectivo por isso jogo futebol. :)

gralha disse...

E depois há um quarto tipo: as mulheres.