segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Sempre que aparece meia dúzia de intelectualada...

...a falar mal de uma merda qualquer, mesmo que seja boa, há meia dúzia vezes mil de carneirada que se ergue, orgulhosa, para bradar aos céus que aquela sempre foi a sua opinião. Miguel Esteves Cardoso disse que a "Gaiola Dourada" nem sequer uma boa merda conseguia ser e toda a gente, de repente, se ajoelha aos pés do mestre.

Ora o mestre, lá por ser mestre, não deixa de ter as suas paragens cerebrais e de dizer merda (da boa e da má) quando lhe dão espaço para isso.

O filme é bom e isso não está sequer aberto a discussão. O facto de uma coisa ser objectivamente bem feita e nós, ainda assim, não gostarmos ou não nos identificarmos com ela, não faz com que sejamos atrasados mentais. Temos de aprender a diferença entre dizer-se "não gosto" e "é uma valente bosta", já que nem sempre as duas coisas andam de mãos dadas.

O problema de muita gente é a expectativa que tem acerca de tudo. Quando as primeiras pessoas começaram a ver o filme, gostaram tanto que lhe teceram rasgados elogios. Temos tendência para hiperbolizar as coisas de que gostamos muito. Agora, digam-me, estavam à espera de quê? Quem foi ao cinema a achar que aquilo era o melhor filme cómico de todos os tempos só pode sair desiludido. Eu até acho que nem sequer é um filme cómico, tendo apenas alguns apontamentos mais engraçados.

Acontece a mesma coisa com os Santinis e os "melhores bolos de chocolate" da vida. De tanto se ouvir dizer que são experiências inesquecíveis sem as quais não se morre completo (e estou a balizar o nível por baixo), tudo o que seja menos do que haver uma tipa a executar um final feliz na minha pessoa enquanto eu como o alimento mais superlativo alguma vez inventado (só a comida não chega para o evento se equiparar às descrições) vai ficar sempre muito aquém das minhoquinhas que nos põem na cabeça.

Passa-se o mesmo com o filme. Repito, é bom. Para quem está à espera de sair do cinema automaticamente curado de todas as doenças que o assolam, aconselho a que se feche em casa e corte todo o contacto com o mundo. Não vale a pena viver. Tudo o que dizem que é bom e vale a pena é, afinal, fraquinho.

6 comentários:

Ana. disse...

Estou absolutamente de acordo contigo!
Inclusivamente na questão dos rebanhos de carneiros que por aí pululam!
;)

S* disse...

Eu tinha algum preconceito em relação ao filme, mas tenho lido tanta coisa boa e tanta crónica sobre o filme que acho que já gosto dele mesmo sem o ver. Mas caramba, deixem de ser carneiros - para o bem ou para o mal.

Angie disse...

É um grande filme, carago! Não é um Bergman, nem tem pretensões a ser. Ainda assim, está muito bem filmado e editado, a fotografia é relativamente interessante (graças ao Douro!) e as interpretações, irrepreensíveis! Quem não gosta, azar, temos peninha...

Anónimo disse...

Epá, haja alguém com dois dedos de testa! Juro, juro, juro, que nunca percebi a paranóia com esse tal bolo de chocolate e do Santini nem me pronuncio, que é para não dizerem que eu só só um anónimo mal disposto.
Mas um dia, se tiver paciência para isso, conto a minha experiência total com o bolo. É que não só o bolo em si, a deslocação à loja (original) para o comprar é também toda uma experiência A NÃO REPETIR!
Sinceramente, não percebo o que as pessoas vêem nestas moda. Muito gosta o tuga de ser enganado!

Pulha Garcia disse...

Pessoalmente não vi nem tenciono ver o filme em causa. Acredito que esteja "bom" mas não me parece que seja o filme que vá gostar. Quanto ao MEC, pode estar errado e há muitas coisas que estou em desacordo com ele mas é dos poucos em Portugal que merece o estatuto de intelectual precisamente porque pensa pela sua cabeça sem estar excessivamente interessado em impressionar ninguém.

(agora o que realmente me fez comentar foi a foto de entrada; a malta que toca música e ainda por cima guitarra (uma yamaha, certo?) sempre é um bom cartão de visita ... melhor do que dizer "olá, trabalho na banca e precisamos de falar"...)

Pedro M. disse...

Então estamos totalmente de acordo, Pulha. O filme ser bom e mesmo assim não apelar aos gostos de todos não impede a terra de girar, e o facto do MEC ser bestial não o impede de, às vezes, expressar opiniões com a mesma retórica de um aborígene.

Por acaso não é uma Yamaha. Se na foto se visse a guitarra por completo deixaria menos dúvidas. Tem o formato de uma Ibanez RG, mas é uma guitarra custom. Talvez a mostre em acção em breve. Ah, e estar na banca, neste momento, não seria assim tão uncool (afirmação que por si só...) :P