quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A dieta dos não sei quantos dias

Embora isto já seja do conhecimento público, há duas pessoas que perderam uma quantidade considerável de peso nos últimos tempos: a Fanny e eu. Com o estrondoso sucesso que a minha entrada na indústria musical teve (está já agendado eu ir no mês que vem para Miami, onde o Snoop Dogg vai fazer um dueto comigo no meu próximo single, cantando as palavras "Pederou Marrquez" três vezes), a minha agente minha namorada disse que eu devia expandir o meu mercado alvo e escrever um livro de dietas. Na cabeça da maior parte das pessoas, essa é a progressão lógica. Até lhe sugeri chamar ao livro "The Diet of Anne Frank", mas ela achou que era de mau gosto e que eu devia usar qualquer coisa do género "A dieta dos não sei quantos dias de Pedro Marques", como toda a gente faz. Não percebo porquê. Se perder peso é uma actividade orientada para os resultados, vamos usar os exemplos que apresentama maior garantia de sucesso.

Porquê um livro de dietas? No meu vídeo, que podem voltar a ver ou no post passado ou no facebook da página, se repararem bem, podem ver três Pedros diferentes, tendo em conta na altura não termos podido filmar tudo de uma enfiada. Um tem 90 quilos, o outro 85 e no final há um com 78.

Há uns meses atrás disseram-me que eu estava gordo. Se eu estou gordo tu ou és atrasado mental ou metes pedrinhas no rabo para magoar a pichota dos outros meninos, pensei eu, todo ressabiado. Acontece que entretanto houve mais pessoas a dizer o mesmo.

Eu nunca fui gordo, porra. Sempre fui magro e isso era um dado adquirido. Comia toda a merda que me apetecia e sabia que o desporto se encarregaria de que fosse outra pessoa qualquer a ser gozada na rua e não eu. Até que me comecei a sentir mais pesado e com menos energia. A certa altura, pela piada e só para ver como era, queria ver se conseguia chegar aos 90 quilos e depois perdia tudo facilmente. Pois. No princípio do ano atingi esse objectivo (90,2 sem roupa, de jejum e já depois de ter cagado) e achei que 90 era para meninos e que afinal 100 é que seria de homem. A minha agente minha namorada disse prontamente que me largava se isso acontecesse (que relação tão pouco profissional). Eu faria o mesmo se fosse ao contrário (e ela nem precisava de chegar aos 100), sendo que desta vez já não estava tão confiante de que fosse fácil perder peso.

Da tomada de consciência à acção há sempre um espaço de tempo chatinho, que nos faz andar ali no limbo. Em Junho disse "basta!" (quer dizer, não foi bem basta, foi mais foda-se tou gordo comó caralho e já só consigo ver a cabeça da pila quando tá dura e é porque é comprida) e decidi mudar alguns comportamentos. Hoje pesei-me e já vou nos 76.

A vitória não é ver um valor baixo na balança, mas sim saber que será preciso que nos façam uma lobotomia para que voltemos a cair em certos comportamentos antigos. Vou partilhar convosco aquilo que fiz, com a vantagem de que não sou nutricionista (o povo identifica-se mais facilmente com o seu semelhante) e puta que pariu se algum dia me apanhavam num (quanto muito dentro de uma, se não tivesse namorada).

O meu jantar era quase sempre dois bifes, dois hamburgueres ou dois quaisquer afins e uma porção enorme de massa temperada com bastante manteiga e alho. Saltava imensas refeições (especialmente a primeira!) e então achava que merecia, ao fim do dia, comer um prato de comida tão bem aviado que aguentasse um episódio inteiro de The Walking Dead desde a primeira garfada à última.

Agora, como apenas um bife ou um hamburguer ou uma lata de atum ou posta de peixe. Evito comer massa e arroz à noite (e quaisquer hidratos de carbono, tirando os da fruta); se me apetecer, compenso uma dose menor com milho ou outro vegetal. Adoro milho e ervilhas (e isto também é uma sorte). O prato continua cheio mas bem menos calórico. Descobri que sou maluco por favas. Isto, tenho de admitir, é uma sorte. Se fico muito tempo sem as comer, fico genuinamente contente quando sei que o jantar vai ser carne com favas sem mais nenhum acompanhamento. Ah, e não me fazem peidar mais do que já me peido, ao contrário daquilo que muitos dizem (mas aí já tem a ver com as diferentes tolerâncias de cada pessoa).

As grandes arrozadas e massadas ficaram agora reservadas para o almoço, para que toda essa energia seja gasta durante a tarde, onde é bem mais precisa.

Bolachas de chocolate recheadas (eram o meu go to snack) deixaram de entrar aqui em casa. Ao lanche (ou sempre que tenho fome) costumo comer ou fruta ou pão com mel (vá, doce quando não há). O mel demora mais a ser degradado e acaba por ser uma excelente fonte de energia, especialmente se formos correr a seguir (continuo a achar que correr é uma seca, e tenho andado a escapulir-me aos "treinos"). Dantes, para me sentir saciado, comia duas sandes de pão de forma branco bem barradas fosse do que fosse. À parte do recheio, por si só isso já dava quatro fatias de pão. Agora já não fecho o pão e troco, sempre que posso, pelo integral. Barro duas fatias separadamente com mel (sem que sobre na faca ou na colher para me lambuzar à parte) e era como se tivesse as mesmas duas porções do costume, com metade das calorias.

Já não bebo refrigerantes. De vez em quando, socialmente, o máximo que faço é pedir Coca Cola Zero (eu sei que não sabe bem ao mesmo, mas com o tempo uma pessoa habitua-se). Também não faz grande coisa ao organismo, mas é tão esporádico que escapa.

Para fazer estas adaptações usei um software de contagem de calorias. Ai que chatinho, poderão dizer, mas ajudou-me a ter a perfeita noção daquilo que comia antes, e de como espaçar a comida de modo a que que não tivesse de abdicar de muita coisa e que pudesse dosear bem as quantidades ao longo do dia, nunca tendo fome. Pesquisem, que há alguns grátis ou com períodos de teste bem generoso.

Uma coisa é certa: perder peso é democrático e matemático. Todos o podem fazer, e se gastarem mais energia do que aquela que consomem, NUNCA SERÃO GORDOS.

Agora que já atingi mais do que o objectivo (com 78 já ficaria plenamente satisfeito, já que não sou baixo), já não estou tão nazi e desvio-me de vez em quando da dieta. Se sugerirem comer uma calzone à noite, já não me meto com paneleiradas. Simplesmente limito-me a comer a pizza muito devagarinho, e a saborear ao máximo. Aliás, é um prazer duplo. Quando toda a gente já acabou eu ainda só vou a meio e ficam todos fodido dos cornos de inveja de mim.

Já agora gostava de saber as vossas experiências com isto dos pesos. Embora eu tenha passado apenas pela rama naquilo que fiz (poderei ser mais detalhado se alguém quiser), tenho muito para aprender e acho engraçado fazermos as coisas de borla.

6 comentários:

AC disse...

Bebo muita água, como muita fruta, evito os açúcare,s não bebo refrigerantes ( álcool ocasionalmente) e não como hidratos de carbono à noite. Duas vezes por semana faço uma corrida ( 30 m ) ou faço bicicleta estática em casa . Chega-me peso 70 kg e tenho 1,78, não sou magra (esquelética) sou normal.

E bebo muito chá, porque adoro.

A Mais Picante disse...

É mais ou menos isso.... Beber muita água, evitar os hidratos de carbono a partir das 18h, proibir os fritos, comer de 1.30h em 1.30h... máximo 2 em 2h: nunca se fica com fome e o organismo nunca entra em modo "poupança energia", limitar as gorduras ao máximo (doce é melhor que manteiga) e ter atenção às frutas (as tropicais têm demasiado açúcar).
O estômago é um animal de hábitos, rapidamente se habitua ao novo regime e se passa a gostar de coisas saudáveis.
Nunca fiz dietas religiosas e regradíssimas, por exemplo ao pequeno almoço não dispenso o pão com manteiga mas tento comer saudavelmente durante a semana e ao fim de semana faço uma ou outra asneira, tenho o mesmo peso há uma catrefada de anos. O truque é não nos deixarmos engordar e fazer exercício físico, mesmo que não apeteça.
O que realmente me aborrece nas dietas é essa embirração que todas têm com o álcool, o fgulano que inventar a dieta do álcool passa a ser o meu herói.

Pusinko disse...

Água ao acordar e deitar é ritual. Durante o dia também.
Bebo sumos naturais de fruta, vegetais ou mistos, feitos no momento ou consumidos poucas horas depois. Não restrinjo em frutas porque adoro quase todas e por si não fazem mal.
Ultimamente, e porque moro com uma miuda prendada, comemos pão caseiro (branco, integral ou de sementes, depende da disposição). No que toca a doces e snacks, é raríssimo comprar, porque a roomie tem de ganhar 2kg e a mesa da cozinha tem muitas vezes bolachinhas/bolos de chocolate/focaccias e afins saidas do forno a tentar quem está no sentido oposto da dieta :) Uma pessoa resiste mas prova de quase tudo.
Os jantares são saladas ou sopas. Carne quase nunca, peixe e ovos algumas vezes. Apesar de consumir alguns queijos regularmente e manteiga volta e meia, abdiquei da maioria dos lácteos por intolerância à lactose (mas não tão grave ao ponto de se me desarranjar a tripa se matar o vício esporadicamente).

S* disse...

Fico mesmo orgulhosa de ti, oh Pedro. Os homens têm mais facilidade para emagrecer mas a verdade é que a vontade tem de aparecer.

O meu rapaz, por exemplo, tem 1.85 metros. É largo de ombros, é um homem encorpado, nunca será magrinho. No entanto, agora está mais rechonchudo. É uma chatice isto de vivermos só os dois, porque comemos os dois apenas o que nos apetece. ;) No entanto, se o sacana quiser emagrecer, perde 10 quilos em 2 meses. É só fechar a matraca.

Eu tenho mais 8 ou 9 quilos do que deveria ter. Vá, 10 quilos a mais. Sou curvilínea, tenho apenas 1.65 metros, devia perder uns bons quilos. Mas a chatice é que gosto de comer. Ouço muitas vezes que estou "redondinha" ou "roliça", mas vou ter de QUERER perder peso. Por agora, estou apenas a cortar na ração e a tentar não comer demasiada porcaria. Mas ontem fui ao Mcdonalds... por isso, não perco peso.

rosa ramos disse...

Acho que nunca li nada tão simples e tão eficaz. Conseguiste motivar-me...e olha que neste aspecto não é fácil! Obrigada!

Monaliza Reis disse...

http://dietaquefunciona.com.br