sexta-feira, 26 de abril de 2013

Rescaldo do primeiro dia de praia

O português é como um caracol. Move-se lentamente durante todo dia e, ao mínimo indício de calor, trata logo de meter a merda dos cornos ao sol. Eu, como sou estúpido e português (ia dizer apenas português, mas alguém era capaz de ficar ofendido) decidi que havia de ir à praia logo num dos dias mais bafientos do ano (25 de Abril, caso estejam a ler isto fora do contexto). Ao chegar ao areal, constata-se que este dia só serviu para dar demasiada liberdade às pessoas que, estupidamente, decidiram tal como eu acorrer TODAS à mesma área que eu tanto cobiçava. É importante referir que eu moro perto de um autêntico esgoto humano a céu aberto. Não digo isto no sentido de fazer juízos de valor acerca das pessoas, mas apenas para me servir do pormenor de toda a gente da zona, de uma forma ou de outra, lá ir dar. Se disser que fui a Carcavelos, o paralelismo fica muito mais bem traçado na cabeça de toda a gente.

Ora o problema da praia de Carcavelos não é a praia, que até não é má. São mesmo as pessoas. Neste tipo de dias, tentar arranjar lugar na areia é como o violador de Telheiras decidir que vai comer uma viúva de 80 anos. É óbvio que ali não passa nada. Lá arranjamos uma área de cerca de 1x1 m2 onde meter as toalhas, mas foi mesmo a custo de muito esfuçangar por ali adentro. A única pessoa que se vai sentir ali bem é um gajo que, simultaneamente, seja exímio jogador de Magic The Gathering e fã do Harry Potter, já que não haverá muito mais oportunidades na vida em que a proximidade a tanto cú e mamas seja tão evidente. A agorafobia que se lixe, né? Para este indivíduo, mesmo com elevadas taxas de celulite, já compensa o esforço. Dizem que devemos enfrentar os nossos medos e tudo.

É impossível que alguém tenha prazer em estar ali naquelas condições. Juro que cheguei a ponderar instalar a toalha num dos cantinhos do campo de volley de praia, já que o espaço abundava e prefiro candidatar-me a levar uma bolada nas costas do que sujeitar-me aos intensos encantos do odor corporal alheio. Os pés das pessoas estavam tão próximos uns dos outros (ahhh, a beleza da maré alta) que eu juro que vi fungos a saltar de pessoa para pessoa. Ora, não sendo possível tirar partido da tarde, não seria preferível haver uma espécie de porteiro na praia? Mesmo que não se fosse escolhido, ao menos o sofrimento seria menor do que fazer parte daquela Sodoma e Gomorra balnear, não havendo selecção.

É claro que eu acho que devia fazer parte da lista dos escolhidos, tendo em conta que estou a uma distância razoável a pé da praia. Quando está frio e se vai lá tomar café não vejo aquela gente toda a fazer fila. Só vão quando tá solinho, não é? Se serve nuns dias, também devia servir nos outros. Assim também eu.

Nem tudo é mau. A falta de selectividade faz com que a oportunidade seja óptima para aqueles que têm namoradas que acham que estão gordas quando não estão (a menos que estejam mesmo). Subitamente, já não é preciso dizer as palavras mágicas com convicção sobre-humana. Elas, que nunca confiam em nós, só têm de olhar à volta e ver aquela quantidade colossal de chicha que se balança por entre bikinis vários tamanhos abaixo do recomendável, para voltarem para casa com a certeza de que ainda há espaço para mais um Milka sem se deixar de ser maravilhosa. Para mim é que não chega, que eu é que estou mesmo uma lontra.

Acho que faz falta mais um arrastão em Carcavelos. Só através do medo de furto será possível diminuir a afluência de pessoas a uma praia tão concorrida. Os dias subsequentes a uma tragédia dessas seriam os mais maravilhosos de todo o verão.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Fluxograma para (contra) comerciais

Se fores atrasado mental ou distraído, abre a porta.

...

Parabéns, abriste a porta!

Se forem da Meo, diz que tens Zon e estás satisfeito.

Se forem da Zon, diz que tens Meo e estás satisfeito.

Sejam eles quem forem, se quiserem mostrar que são muito melhores do que os outros para te puxarem para a seita, interrompe imediatamente e diz que está tudo em nome do teu pai, mãe, marido ou mulher. Revira os olhos ao mesmo tempo, dará a ideia de que não tens poder decisivo no teu agregado familiar.

Se te pedirem o número para futuros contactos, sorri e dá um número falso. É mais rápido. Estão tão habituados à resistência que não vão duvidar que tens um 93 765 43 21.

Se o mesmo comercial bater à vossa porta num intervalo inferior a dois meses da primeira visita (mais do que isso e não se lembrarão), aproximem-se da porta sem a abrir e digam "AMOR, LIGA JÁ PARA O 112 QUE A TIA NÃO SE TÁ A MEXER COMO É COSTUME".

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Expressões populares

Corrijam-me se estiver enganado, mas é frequente usar a expressão "desde que vi um porco a andar de bicicleta já acredito em tudo" quando estamos desiludidos com alguma coisa e a nossa capacidade de sermos surpreendidos se torna menor.

Era capaz de jurar que, desde ontem, essa expressão foi substituída por "desde que vi José Sócrates a comentar a licenciatura de Miguel Relvas já acredito em tudo".