sábado, 29 de junho de 2013

terça-feira, 25 de junho de 2013

A moda das corridas

Sempre achei que correr só porque sim era uma coisa muito estúpida. Há tantos tipos de actividade física mais divertidos que fico pasmado com a quantidade de gente a correr por essa cidade fora. De vez em quando também sou um deles, mas mais por falta de melhor alternativa do que outra coisa.

Sou uma pessoa que gosta muito de catalogar tudo, e recentemente comecei a perceber que há três tipos de corredores: os homens, os paneleiros e os semi-paneleiros. Os homens são aqueles que correm em qualquer tipo de condições. Uns choviscos não os demovem da actividade. Correm na estrada, na praia e na serra. Não estão preocupados com escaldões ou se vão ficar sujinhos por causa da lama. Abrem a porta de casa, respiram fundo e simplesmente correm. Portanto, uma mulher atraente pode ser um homem sempre que cumpre estes requisitos, e é o único caso em que Deus não castiga se um tipo gostar de um homem desses.

Os paneleiros preocupam-se com o tipo de sola dos ténis, têm cores diferentes para todos os dias, e fazem upload dos dados do treino para os seus perfis na internet, sempre apoiados na última versão para a aplicação android ou iOS do momento.

Eu sou apenas semi-paneleiro. Não corro se estiver demasiado calor, é certo, mas também só tenho um par de ténis e não tenho vergonha de sair à rua com eles se estiverem porquitos. Uso o SportsTracker no meu smartphone já a acusar os anos porque gosto de saber a distância que fiz e as calorias que queimei (normalmente meço a exigência do treino em bolachas com recheio de chocolate; a minha corrida média corresponde entre duas a três bolachas do de chocolate do Pingo doce). No entanto, estou-me profundamente a cagar se estou a seguir o ritmo certo para a minha condição física ou se a minha pulsação indica que estou perto do colapso. Quando der o berro, deu (também nunca está perto do colapso porque às vezes fico tempos sem correr e depois por cada 500 metros que corro, ando outros 500; nunca sei se devo iniciar no telemóvel o treino em modo walking ou running nessas alturas).

Ando a tentar ficar mais disciplinado. Com sorte, um dia passo-me para o lado dos panilas. Mesmo não prestando ainda muita atenção a todos os parâmetros da corrida sei que, para ganhar resistência e perder massa gorda, não posso deixar a pulsação descer demasiado. É esta parte que torna correr em Lisboa uma actividade díficil. A menos que tenham um parque à porta de casa, há sempre uma data de semáforos no meio do caminho. Com as tshirts mais usadas que visto para correr, se descuro a passada mais acelerada e me deixo andar um bocado, em vez de um corredor pareço apenas um gajo pobre que não tem onde cair morto e que vai a arfar e a suar porque está com dificuldades em arranjar a próxima dose. Como ligo muito as aparências, recomeço logo a correr se noto que alguém pousa o olhar em mim de forma mais demorada, para não terem dúvidas acerca daquilo que ando a fazer.

Gostava, portanto, que partilhassem as dicas que têm para correr em Lisboa. É que um gajo, em nome da saúde e de uma perda de calorias acentuada, acaba por ter de se sujeitar sempre a alguns riscos...

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Coisas que me chocam

Parece que o João Malheiro vai lançar um romance intitulado "Cona D'Aço". Confesso que esta novidade me deixou um pouco perplexo.

Então mas o João Malheiro é capaz de escrever um romance?! A sério, é que isto de uma pessoa se lembrar de guardar o documento antes de desligar o computador não é para qualquer um. Ou então escreveu a "Cona D'Aço" à mão.

terça-feira, 4 de junho de 2013

O desassossego de Leididi

Distraído como sou, já não fui a tempo de apanhar o grosso dos protestos contra a piada feita pela Leididi acerca da Bibá Pita. Para os que não se lembram, foi levemente sugerido que a filha que exibe mais parecenças com a Bibá é precisamente a que tem trissomia. Percebo que haja dois tipos de pessoas que se sentem ofendidas com isto: aquelas que lidam com o problema todos os dias e ainda não conseguem ter um distanciamento suficiente para conseguir brincar com isso e os desprovidos de sentido de humor. Para mim, não ter sentido de humor é, em si, uma deficiência. Tenho a leve suspeita de que a Bibá, caso tenha sabido disto, não tenha sido nem de perto nem de longe a alma que mais sono perdeu à conta disto, podendo até ter-se rido mais do que eu.

Ter sentido de humor não implica que uma pessoa rompa a braguilha sem querer por se rir de qualquer piada mais esquisita, ou que seja o próprio a contá-las. Uma das suas dimensões é precisamente a capacidade de uma pessoa perceber a lógica (ou de criar uma lógica) de uma frase humorística.

Por exemplo (esta eu gostava que se tornasse clássica):

Um pai chega a casa e apanha a filha em flagrante a masturbar-se com um pepino.

- Oh Isabel, eu não te tinha dito para não fazeres isso? É que eu ia comer isso logo à noite e agora vai ficar tudo a saber a salada!

Esta piada é boa. Não fará rir toda a gente, mas quem a perceber já terá sentido de humor. O resto vai achar que o seu autor devia ser preso porque o incesto é uma coisa séria. Claro que é sério. Se não fosse, não teria piada.

Acho que já o disse aqui uma vez, mas é impossível fazer humor sem ser às custas de alguém. Repito: é impossível. A única coisa que muda é o grau da desgraça. Caso a polícia da moral e dos bons costumes queira estabelecer um limite para o respeitinho e a sensibilidade, vai ter de abolir completamente a ironia, o sarcasmo, e a gargalhada inteligente da vida no planeta. Prefiro sujeitar-me a ser alvo de chacota do que ver instaurada uma censura plena. Eu nem sequer lido muito bem com a coisa quando alguém goza comigo, mas o problema é meu e não do humor. Não há limites de assunto para o humor; é sim necessário um sentido de humor muito mais apurado quanto mais melindrosa for a situação.

É provável que alguns dos que tentaram crucificar a Leididi sejam precisamente alguns dos que acharam muito conseguida aquela publicidade do "Acredita, eu consigo", em que se sugere (quer queiram, quer não) que pessoas com trissomia nunca poderão alcançar mais na vida do que ser tratador de cavalos, auxiliar educativa ou aprendiz de marceneiro. Eu acho esta publicidade de um mau gosto incrível, especialmente quando até houve uma série na RTP, a "Liberdade XXI" que mostra como até advogados conseguem ser. Contra esses ninguém se insurge. Toda a gente elogia a campanha e ninguém se questiona se haverá ou não ali um sentido pejorativo evidente. Mas não, a Leididi é que é a má.

Nem tudo é negativo. Esta polémica conseguiu fazer com que a autora do catálogo da La Redoute, a Pipoca Mais Doce, provasse que ainda não está senil e que ainda sabe escrever coisas de jeito como nos antigamentes. Nem tudo está perdido.