domingo, 16 de março de 2014

Deixemo-nos ficar pelo futebol

Há coisas em que somos bons. Nisto não. No dia em que ganharmos um Festival da Eurovisão, é sinal de que a nossa identidade cultural morreu mais um bocado. Num concurso que é marcado pela labreguice, devia ser um ponto de honra ficar pelos últimos lugares.

Não sei do que tenho mais vergonha. Será pior 1) sermos representados por um inenarrável tema, "composto" pelo Emanuel e cantado pela Suzy (who?), 2) não haver uma diferença de qualidade assim tão grande por parte dos outros temas concorrentes ou 3) saber que foram "os portugueses" (hoje em dia já não sei o que significa isto, e às vezes obrigam-me a não ter muita vontade de o ser) a escolher esta coisa como representante de um país que já teve muito do que se orgulhar?

Se os outros querem primar pela mediocridade, deixem-nos. O problema não é nosso. Que o nosso lugar seja o último. Reduzirmo-nos ao mínimo denominador comum é bastante pior.

O chumbo da co-adpoção e a Suzy & friends, tudo na mesma semana, é desolador. Pelo menos o Sporting ganhou.

1 comentário:

Ronhonhó disse...

Pedro,
Como é possível escrever poemas de tão belo calibre? Nem um betinho anti-co-adopção consegue!

Abraço,
Sam