sexta-feira, 7 de março de 2014

É pena que as probabilidades do Euromilhões...

... não estejam também presas ao número de apostadores por cada concurso. Eu seria daqueles que, de certeza analítica, apostaria apenas quando o prémio fosse baixo. Ai hoje são só 12 milhões? - seria um óptimo dia para jogar.

Ganhar cem milhões deve dar uma dor de cabeça gigante. A começar nos jornalistas, que sabendo que o vencedor era português, fariam esperas na Santa Casa para ver quem iria reclamar o prémio, não haveria como não andar num estado permanente de desconfiança. Mesmo se assim não fosse, entre amigos, conhecidos, e família, alguém iria dar com a língua nos dentes. Se forem parte integrante de um casal, daqueles que dão beijinhos e fazem coisas juntos, como tratar da casa e ir ao cinema, tudo isto passa a dobrar.

Não sou uma pessoa altruísta, confesso; não me faria confusão, ainda assim, ajudar aqueles que me são mais próximos. Aliás, nem acho que seja uma ajuda, que até soa demasiado a pobre; seria o reconhecimento merecido da importância que tiveram ou têm na minha vida. Conheço algumas pessoas que guardariam escrupulosamente segredo (nada que cem mil euros e um contrato com uma cláusula de confidencialidade não consigam), mas isto é como tentar usar as mãos como taça para beber água. Bitches gonna tell, sista.

De repente, os pedidos de ajuda seriam incessantes. O quê, só quinhentos euros? -  seria uma das respostas possíveis. Eu dou o que quero, caralho; esmiuçando as nossas interacções, apertei-te a mão um punhado de vezes e saiu-me ao preço de vários finais felizes.

Iam descobrir onde eles estudavam e iam-me raptar os putos à porta da escola. Não, não moro no Brasil, mas porra, são uma catrefada de milhões. Resta-me o consolo de que pudessem andar a ter más notas, sempre era um castigo para ver se aprendiam a fazer o que os papás dizem.

Com cinco milhões um gajo empata aquilo numa casa boa, mais uns apartamentos para arrendar, investimentos em empresa própria e tá a andar, não há muito mais para sacar.

Ganhando, no entanto, uma quantia de nove dígitos, e já que vocês, por este parágrafo já devem estar aterrorizados e eu não me importo de me sacrificar em vosso nome que nem o Jesus fez, o meu plano de acção já está estipulado. Comprava um Seat Ibiza branquinho com jantes em liga leve e escusava-me a dar a minha verdadeira morada. Nada de Porsches e cenas do género que chama demasiado a atenção. Se alguém me desse boleia, dizia que morava num sítio e, que nem uma adolescente namorando com alguém de classe bem mais abonada, esperava à porta até o carro se ir embora, dirigindo-me depois ao meu verdadeiro poiso. Não hão-de perceber nada. Já o recheio, mais coincidente com o meu recém adquirido estatuto, seria um segredo só meu.

Mesmo comprando um bocado acima das minhas actuais posses (portanto, em vez de salsichas da marca Continente compro da Isidoro, ou até, loucura, da Nobre, que são as minhas preferidas), apenas poderiam ficar desconfiados. Alguns iam pensar que ando a gamar, ou até a vender o cú, mas deixa-os pensar. Contar é que é mau negócio.

Porra, contei o meu plano.

1 comentário:

Pérola disse...

Eu acho que trocaria de cidade e manteria os amigos e familiares que merecem a minha confiança na minha atual situação ( de miserável).
Porém, nunca revelaria ser ganhadora de tal prémio,nunca.

beijo