terça-feira, 19 de agosto de 2014

Como se o mundo precisasse de mais bloggers de moda, exercício, comida e afins

Acordou-me a meio da noite. Sim, sete da manhã é uma possível definição para o mais sagrado dos meus estados vegetativos.

- Lembras-te de que combinámos ir correr antes do trabalho?

- AS#$!!!DFJ««K#$%&&(/$.
Levantei-me e fui preparar o meu pequeno almoço. Neste estado grosseiro de motricidade, isso resume-se a um degradante leite magro com chocolate. Em resposta a qualquer coisa debitada por ela, em tom altamente energético, não consigo mais do que levar os dedos aos lábios, imitando a voz do Stephen Hawking, dizendo qualquer coisa genial, do género "my name is Stephen Hawking". O meu cérebro não dá para muito mais; estando já a cambalear, achei mais importante impedir o contacto dos meus cornos com o chão. Piadas inteligentes poderão sempre ficar para depois.

E assim lá fomos nós ser testemunhas de um ajuste de contas no meio da rua (a que horas acham que essas merdas acontecem?). O treino até começou bem porque dei logo pela falta de cem kilocalorias ao escorregar com os meus ténis gastos na calçada em direcção ao local da corrida, mais à conta do susto que do esforço físico. Chamemos-lhe apenas de aquecimento.

A vista a partir daquela zona do Parque das Nações é particularmente inspiradora. A luz é perfeita e o cheiro é calmante; o vento àquela temperatura faz-me festinhas no lombo, como se voltasse ao conforto da minha cama. O problema é que, apesar da hora, há várias pessoas a correr, com aquele ar de felicidade meramente por se estar vivo e ser-se saudável, todos muito mais bem vestidos do que eu. Detesto gente com ar feliz, especialmente se não tiverem tido a mesma ideia de pegar numa t-shirt velha. Recuso-me a comprar roupa pipi e um Iphone quando o objectivo é apenas suar que nem um porco, deixando nesse processo, curiosamente, de ter ar de porco para enchidos.

Alguns quilómetros depois, chegamos a casa com o sentido de um dever comprido. Devia lembrar-me de que quanto mais me afasto, mais tenho de andar para conseguir voltar. Eventualmente poderei sempre chamar um táxi. Mesmo estando suado, não há que ter vergonha. Na maioria dos casos ainda estamos a cheirar melhor do que quem nos leva.

E pensar que nada disto teria acontecido se eu não estivesse constantemente ao espelho a dizer-lhe que estou gorda.

1 comentário:

Anónimo disse...

Nesse contexto é "enérgico" e não "energético" :)