sábado, 31 de maio de 2014

Ah-men!

Há uns dias conheci um gajo da minha idade que, tirando os mocassins excessivamente pipis de camurça, se vestia como a minha namorada queria que eu me vestisse. Não gosto lá muito de blazers, e recuso-me a vestir um se tiver cotoveleiras, mas tenho de admitir que, naquele tipo, a roupa caía toda muito bem. Um gajo magro e alto com a roupa bem adaptada ao corpo é logo outra fruta. A barba impecavelmente aparada e o sorriso maroto, ainda que de orientação sexual condizente com os sapatos (mas sem bichices exageradas) completava o bolo. Estávamos perante um paneleiro extremamente jeitoso e que, quanto a mim, deixava toda a maricagem extremamente bem representada. Se eu tivesse um filho rabilú, era provavelmente o tipo de marmanjo que eu não me importaria que ele trouxesse a casa para apresentar como namorado. Ia ficar um bocado apreensivo ao princípio, mas é uma reacção perfeitamente aceitável quando aparece um homem em nossa casa a tentar roubar a princesa dos nossos olhos. A estocada final foi quando nos disseram que ele aliava o poder de cativar as pessoas através do dom da palavra ao facto de ser um excelente dançarino. Mais um bocado e até eu queria ver se dava para esse lado.

Tudo isto sería inconsequente se não viéssemos a saber que o fulano em questão já era casado (e muito bem casado) com Jesus Cristo. Era padre. Penso que as gentes da terra não têm de temer pelas suas crianças, já que o tal sorriso maroto não dava espaço a enganos. O senhor padre gosta de pichota, sim senhor, mas de pichota graúda. Dêem-lhe todas as cores do arco-íris e aquele tipo de procissão que nós sabemos, e lá vai ele todo pimpão com (e apenas) os seus suspensórios pretos de cabedal e um boné.

Vós que sois religiosos, dizei-me uma coisa: não era suposto esta malta ser celibatária? Não é que eu ache normal um homem andar a tentar calar o fogo que sente cá dentro durante toda uma vida, mas pensava que as regras eram essas. É por estas e por outras que há padres com muitos afilhados. De resto, eu não vejo como é que um padre gay, lá por gostar do sacristão e não das beatas, haverá de ter mais dificuldade do que os outros a espalhar a mensagem do senhor.

Não vou à missa regularmente desde os meus doze anos, idade em que os meus pais deixaram de acreditar que alguma vez eu iria aderir de corpo e alma aos rituais católicos, mas fiquei curioso para saber como será uma missa daquele senhor padre. Mais animada será, com certeza. A tradicional hóstia e vinho serão susbtituídos por um ligeiro brunch de domingo e todos cantarão alegremente versões com letras modificadas de músicas dos Bee Gees. Pelo menos, é assim que imagino.

Só tenho receio de uma coisa: as pessoas são muito preconceituosas. É possível que o padre seja apanhado no confessionário com um dos fiéis, sendo a minha dúvida a de estar ele sentado a dar o sermão ao arrependido prostrado, ou de ser ele o próprio a rezar em vez do pecador. Para mim, não muda nada; tenho a certeza de que é excelente a transmitir a paz por onde passa.


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Pela última vez, que já não há pachorra para explicar isto

Mantendo o maior nível de objectividade que me é possível neste momento e, admitindo que das dezasseis escolhas possíveis, nenhuma é boa o suficiente para uma boa parte da população, podemos formular o seguinte:


Não votar = Estou-me nas tintas para o futuro do país; sirvam-se como se estivessem na vossa casa.

Votar em branco = Não sei qual será o mal menor mas, pelo menos, no meu cu mando eu.


PS: Cheguei até a ler comentários de pessoas que acham que devia haver a possibilidade de se poder colocar uma cruz numa última opção extra, a do voto em branco. Porra, não é muito mais fácil para todos simplesmente deixar a caneta sossegada e dobrar logo o raio do papel em quatro?

quinta-feira, 15 de maio de 2014

O problema é o ovo, não a galinha

Não é o cancelamento da palestra de Alexandra Solnado no parlamento, no âmbito das Jornadas da Saúde (onde falaria, entre outras coisas, de memórias de vidas passadas e de como a sualimpeza pode ajudar ao bem-estar) que tem de ser justificado.

O que tem de ser justificado é que raio se passou no departamento de recursos humanos do parlamento para tal convite ser feito. Acho que já lá se vende banha da cobra que chegue.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Se eles podem, eu também

Não sabia que o Mimikas também já tinha uma página no facebook, com passatempos maravilhosos e fantásticos.

Acho que vou fazer uma página nas redes sociais para a minha orelha esquerda. Podíamos começar por tentar adivinhar a quantidade de cera que lá mora, através de algumas pistas simples. Parece-me relevante.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Ainda não perceberam que...

...só se poderá falar da vitória da mulher barbuda na Eurovisão como uma vitória para a diversidade e tolerância quando, numa ocasião destas, nos esquecermos sequer que a discriminação sexual ainda está em jogo? Até lá, tudo isto é apenas uma grande tolice. Ter de falar das coisas em jeito de discriminação positiva perpetua o problema.