segunda-feira, 23 de junho de 2014

Ai do moço da biciclete da Suiça é que ninguém fala e deviam falar

O Rui Costa ganhou pela 3ª vez consecutiva a volta à Suiça, mesmo na última etapa, pouco antes do desgosto que a Selecção que nos causou na única coisa da vida em que, provavelmente, somos capazes de ganhar aos EUA.

É um feito absolutamente notável e invejável, mas permitam-me respeitosamente que me esteja a cagar para o ciclismo. Aquilo é chato. Não consigo ver mais do que vinte segundos de uma transmissão sem ter vontade de me peidar.

A culpa do meu despeito nem é do Rui Costa, que faz o melhor que pode, e um melhor que dá resultados difíceis de reproduzir amiúde. A culpa é do sentimento recorrente de que não podemos ficar chateados quando aqueles por quem torcemos no nosso desporto preferido perdem, havendo sincronismo com uma vitória portuguesa noutra modalidade qualquer. Não gosto de ciclismo (a minha ignorância sobre o assunto ajuda bastante, mas também não tenho vontade de aprender), de judo, de natação, de atletismo e dessas merdas todas que perdem em espetacularidade e drama para outros desportos. Gosto de andar de bicicleta, de andar à porrada com gajos com metade do meu tamanho, de nadar e de correr em ruas onde há bolos quentinhos a sair dos fornos de boas pastelarias; daí a envolver-me na parte mais formal da coisa, vai uma distância gigante.

Portanto, reservo-me ao direito de estar fodido. Dispenso comentários de que a vida não é só bola, e de que devíamos era valorizar os outros que, coitadinhos, não têm os mesmos apoios. O mundial só acontece de quatro em quatro anos, um gajo ainda precisa de lutar para se apurar, e eu, aproximando-me perigosamente da idade última do Cristo, começo a sentir um pouco (talvez precocemente, eu sei, gente) o gostinho da incerteza de saber se estarei cá para ver o próximo ou não.

Gosto daquilo que gosto e pronto.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Viva o Mundial, que se foda o Mundial

Estou chocado com a quantidade de comentários de pessoas que estão genuinamente contentes por um jogador português se ter lesionado. Afinal de contas, ele (Rui Patrício, para quem tem morado na lua desde o princípio do campeonato) esforçou-se tanto para jogar mal como vocês para serem inteligentes.