terça-feira, 26 de agosto de 2014

A origem das coisas só se percebe perto do seu fim

Há já alguns meses que, indo na rua e avistando um carro que gostasse muito de ter, começo a exclamar  a expressão "é tan liiiiiiiiiiindeeee!" (variando o volume consoante a proximidade das outras pessoas), como se fosse um lelo a vender meias na feira de Carcavelos.

Demorei séculos a perceber porque o faço; espero que, sabendo a razão, consiga parar com esta mania irritante. Provavelmente não vou conseguir.

A verdade é que só o digo porque, neste momento, a única maneira de os conseguir ter era se os andasse a gamar.

domingo, 24 de agosto de 2014

Balde meio cheio ou meio vazio

Tenho um sério problema com modas; quanto mais gente se mete a cumprir o Ice Bucket Challenge, mais me torço todo de vergonha alheia. Já toda a gente o fez, só restam os "famosos" de terceira linha, chegando a um ponto em que toda a gente se tá a cagar se mais este ou aquele gravam ou não o despejo de água gelada através do seu smartphone. Aposto que se for pesquisar por "Batatinha e Companhia banhos públicos" no youtube, alguma coisa há-de aparecer.

Nem tudo é mau; não só a causa é importantíssima, como se conseguiu que algumas pessoas em Portugal que eu nunca pensei que o fizessem se pusessem a tomar banho, ainda que não passasse por mais do que uma lavagem à gato.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Como se o mundo precisasse de mais bloggers de moda, exercício, comida e afins

Acordou-me a meio da noite. Sim, sete da manhã é uma possível definição para o mais sagrado dos meus estados vegetativos.

- Lembras-te de que combinámos ir correr antes do trabalho?

- AS#$!!!DFJ««K#$%&&(/$.
Levantei-me e fui preparar o meu pequeno almoço. Neste estado grosseiro de motricidade, isso resume-se a um degradante leite magro com chocolate. Em resposta a qualquer coisa debitada por ela, em tom altamente energético, não consigo mais do que levar os dedos aos lábios, imitando a voz do Stephen Hawking, dizendo qualquer coisa genial, do género "my name is Stephen Hawking". O meu cérebro não dá para muito mais; estando já a cambalear, achei mais importante impedir o contacto dos meus cornos com o chão. Piadas inteligentes poderão sempre ficar para depois.

E assim lá fomos nós ser testemunhas de um ajuste de contas no meio da rua (a que horas acham que essas merdas acontecem?). O treino até começou bem porque dei logo pela falta de cem kilocalorias ao escorregar com os meus ténis gastos na calçada em direcção ao local da corrida, mais à conta do susto que do esforço físico. Chamemos-lhe apenas de aquecimento.

A vista a partir daquela zona do Parque das Nações é particularmente inspiradora. A luz é perfeita e o cheiro é calmante; o vento àquela temperatura faz-me festinhas no lombo, como se voltasse ao conforto da minha cama. O problema é que, apesar da hora, há várias pessoas a correr, com aquele ar de felicidade meramente por se estar vivo e ser-se saudável, todos muito mais bem vestidos do que eu. Detesto gente com ar feliz, especialmente se não tiverem tido a mesma ideia de pegar numa t-shirt velha. Recuso-me a comprar roupa pipi e um Iphone quando o objectivo é apenas suar que nem um porco, deixando nesse processo, curiosamente, de ter ar de porco para enchidos.

Alguns quilómetros depois, chegamos a casa com o sentido de um dever comprido. Devia lembrar-me de que quanto mais me afasto, mais tenho de andar para conseguir voltar. Eventualmente poderei sempre chamar um táxi. Mesmo estando suado, não há que ter vergonha. Na maioria dos casos ainda estamos a cheirar melhor do que quem nos leva.

E pensar que nada disto teria acontecido se eu não estivesse constantemente ao espelho a dizer-lhe que estou gorda.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

É parecido, mas não é bem inveja

Gostava de ter trezentos euros soltos a fazer comichão no bolso e ir fazer aquele curso. Pegava numa mão cheia de gente, como a minha namorada, a Pipoca mais picante, a Filipa , a Salsicha, o Maradona, o Tolan e outros que tais, e matriculavamo-nos todos. A oportunidade de divertimento é dupla, já que há perspectivas de que os restantes formandos sejam tão inspiradores como os formadores.

Acontece que não tenho trezentos euros orfãos de obrigações. Embora a certeza de que conseguiria fazer um trabalho tão bom como o seu promotor seja quase absoluta (após apreciação dos módulos e tendo em conta o seu próprio trabalho), não acho que seja qualificado para tal, não tenho lata, e não acredito que o assunto seja assim tão relevante. Mas lá está, é por isso que eu sou um miserável e não tenho os tais trezentos euros.

sábado, 9 de agosto de 2014

Um conselho de borla a todas as marcas

Não invistam em textos publicitários em blogs.

Não devia ser preciso desenvolver, mas eu ajudo. Esta plataforma sempre se pautou pela partilha de experiências pessoais, mais no feminino do que no masculino. Eu comecei o meu porque tinha vontade de partilhar com o mundo os variadíssimos traumas que tenho com o acto de fazer cocó, lidar com gajas e comida. Hoje em dia o objectivo é outro, mas não deixa de ter uma forte componente pessoal. Com as mulheres é a mesma coisa, só que o assunto era mais ligado à componente das mariquices indistinguíveis, tipo bebésroupasapatosdietasjámeperdi.

Hoje percebi que toda a gente andava a falar de margarina e não conseguia perceber porquê. Parece que foi publicado um post com fofuchices, que por sua vez ia desembocar nas memórias passadas a comer Planta com os dedos, assim sem mais nem menos.

Quando começamos a ler alguma coisa e percebemos umas linhas mais abaixo que tudo aquilo não passa de publicidade encapotada, e que se submetermos uma frase até podemos ganhar uns brindes quaisquer, dá-me vontade de não voltar a comprar aquela marca. A Vaqueiro, sem saber, já ganhou pontos à custa disto (agora não me venham dizer que a Vaqueiro também é da Unilever e isto não passa de uma estratégia baseada em metagames para aumentar a procura de uma em detrimento da outra). Eu sei que a senhora tem filhos e há que os meter na universidade, mas porra.

Há uma única pessoa em Portugal que consegue safar-se por entre os pingos da chuva, no que diz respeito à publicidade no blog. Toda a gente sabe quem é, e mesmo assim desafio qualquer um a dizer que aquilo não é mais do que um fantasma do excelente blog que foi nos primeiros anos. Não há outro caminho, mais vale assumir sem grande problema que se está a promover uma marca. Tudo o resto é tempo, dinheiro e brindes desperdiçados.

domingo, 3 de agosto de 2014

Não é suposto as gajas...

...que beijam o camisola amarela no final da etapa serem sempre mais grossas do que as que beijam os outros?