segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Paradoxos

Tatuam citações baratas nas costelas, mas depois parece que nunca leram um livro na vida até ao fim. E logo nas costelas, que deve ser um dos sítios onde dói mais. Bem, parece que não dói tanto como passar da página setenta.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Quem vê cus não vê corações

Tem de se mostrar muito interessado e ser muito educado. São estes os critérios de Indianara Carvalho, Miss Bumbum 2014, para eleger o homem perfeito. Portanto, se o Emplastro se conseguir refrear e não gritar a toda a hora que Pinto da Costa é seu pai, temos um excelente candidato ao título. Aliás, Indianara Carvalho e Emplastro poderiam fazer um par romântico muito bonito. Mas para que precisa ela do homem perfeito? Para perder a virgindade pela segunda vez. Caso contrário, não o fará.

Sim, pela segunda vez. Indianara reconstruiu o hímen porque recebeu um convite para posar nua numa revista. Ela achou que devia inovar. Posar nua é uma coisa séria e ela queria aliar a nudez à pureza, numa tentativa de se mostrar como veio ao mundo. Da minha parte, acho importante acrescentar que, quando vimos ao mundo pela primeira vez, as nossas capacidades cognitivas são uma pálida amostra daquilo que irão revelar no seu máximo potencial; apesar deste pormenor não estar na ideia original da modelo, tenho de considerar o objectivo final cumprido na sua plenitude.

Temo que não seja desta que o Emplastro vá perder a virgindade (no caso dele, a primeira, a verdadeira), visto que Indianara já encontrou o homem perfeito, para quem se entregou num momento mágico. E quanto tempo durou a magia desta segunda virgindade? Quase... quase um mês, revela Indianara. Chiça, que foi rápido. Não se sabe quem é o gajo; Ana Lúcia Matos* bem tentou saber quem tirou a virgindade (por estes termos, que não há como lhes fugir) à moça, mas sem êxito. Não acho que a apresentadora do Flash Vidas tenha estado mal neste pequeno insucesso, já que só pelo facto de não se ter borrado a rir ao longo dos vários minutos de entrevista, já merece todo o meu respeito.

Imagino que, se este novo namorado se revelar um animal, como todo o bom homem, no fundo, faça uma nova operação. À terceira virgindade é de vez. Mais algum tempo de persistência, tipo, vá, uns quatro ou cinco dias, e encontrará o derradeiro. Talvez ainda não seja o Emplastro mas, todos os dados apontam para que haverá outras oportunidades. Não tenham pena do moço do norte.

De repente, rirmo-nos daquelas raparigas que dão apenas o rabo para poderem continuar a gritar com firmeza que são virgens, não me parece tão correcto. Cristo, na sua infinita bondade, aprovou a prática das primeiras (eu continuo a achar que é batota, mas ele saberá mais do que eu), mas resta saberá se também estará do lado de Indianara.

Quando confrontada com a possiblidade de ter sido sujeita a alguma intervenção estética na zona das nalgas, Indianara rejeita a premissa. Basicamente, na cabeça dela e na minha, uma peida natural na mão vale mais do que duas artificiais a voar. No entanto, meteu mamas novas porque não se sentia mulher o suficiente. Coerente.

Caso tenham lavado a loiça toda (homens e mulheres, que o prato não sabe quem o está a lavar) e tenha sobrado um tempito até à próxima tarefa, deixo-vos aqui o vídeo:

Miss Bumbum 2014 fala sobre operação para recuperar a virgindade


*Caso em Portugal queiram organizar uma variante masculina deste concurso do bumbum, há que dar crédito à própria Ana Lúcia pela descoberta de alguns possíveis talentos. É que, a julgar pelas vencedoras, os pandeiros variam um bocado, o que me faz desconfiar que não será necessariamente o cu o principal requisito. O que é transversal a todas, isso sim, é serem meio surdas da cabeça. Puras como vieram ao mundo, portanto. Transcrevendo um comentário de um admirador a uma foto da apresentadora, pode-se ler "es muita boa a doro de ver esse teu corpinho secki gostava-te de te conheser-te pessoal mente amorosa muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiitos beijinhosssssssssssssssssssssss". Eu não punha as coisas nesta forma, embora esteja de acordo com o propósito. Agora, mais puro do que isto, não há.

Vais conhecer a Ana Lúcia, Tiago Filipe, vais ver.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Amor a meias

        Só mesmo quando uma pessoa ergue as mãos aos céus e pede para que um elástico se alargue um pouco é que a força misteriosa que nos rege teima em não anuir. Eram as meias mais fantásticas de que há memória na história recente da minha gaveta de roupa interior, mas caralhos me fodam se aquelas marcas de falta de circulação não eram o presságio de morte por algum tipo de condição ligada a uma deficiente irrigação sanguínea. Aliás, aquilo não eram marcas; eram autênticos sulcos de um qualquer leito de rio, embora se situassem acima do tornozelo e não pelos lados de alguma terra plantada arriba tejo. Afinal, quem teria a coragem necessária para mandar fora umas meias perfeitamente intactas, que não mostravam sinais de enfraquecimento nem no dedão nem tampouco no calcanhar, logo abaixo do tendão que comprometeu o bravo Aquiles? Seria como uma família de classe média-baixa doar um filho recém-nascido para adopção só porque ambos os cônjuges tinham acabado de saltar de escalão de IRS, negando a hipótese de aceder, nesse ano, ao último terminável móvel topo de gama a prestações, com um pacote com mais minutos do que aqueles que seriam capazes de gastar se ainda tivessem amigos ou toda a família viva.

        Não se deitam fora meias que sobreviveram a casamentos, baptizados, funerais, até a vários jogos de futsal a meio da semana, só porque causam um ligeiro desconforto que nos deixa a sensação leve de que podemos morrer. Não, aprende-se a lidar com a dor, essa insaciável companheira, e tomamos para nós como certo o compromisso de que aquelas serão as luvas dos pés que nos protegerão do frio mesmo no dia do nosso próprio funeral, em si pequenitos caixões das nossas extremidades mantidas unas na caixa que será nossa morada última na breve passagem por este nobre corpo celeste. Em função do odor a que a zona obriga, este é um amor austero mas, minhas queridas meias, adorar-vos-ei até ao meu último sopro ténue de vida.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Dantes é que era bom?



Ao contrário da opinião de cerca de 99% dos comentários no facebook da revista que "postou" originalmente esta foto, tenho apenas uma coisa a dizer:


Que infância mais merdosa!