terça-feira, 10 de março de 2015

T(r)etas

A mim custa-me um bocado admirar o género por si só. Quando olho para a imensa fila de gajas à porta do Boticário, no Dia da Mulher, à espera de algo como um mísero amaciador enquanto a vida vai passando à sua volta, todas mal vestidas e ranhosas, custa-me admirar as mulheres. Do mesmo modo, quando meia dúzia de gajos, um bocadinho velhinhos demais para serem putos, entram no Continente com um rádio portátil aos altos berros a debitar o pior que se faz no hip hop português (também não é difícil, é quase todo mau; porque é que nos altos berros dos labregos nunca se vislumbra nada de mais erudito?), com os seus caps gigantes e as calças com o regueiro quase a rojar pelo chão, custa-me muito admirar os homens.

Eu tenho um fascínio pela vida que advém da tentativa de compreensão de todos os factos científicos necessários para explicar a sua existência, desde o Big Bang, as primeiras formas de vida e subsequente evolução. Já o conceito de pessoa num sentido mundano e lato, não me fascina minimamente, visto que a superação dos limites é a excepção, a média é a vulgaridade e, os piores, quando aparecem, são capazes das coisas mais nojentas.

Sendo assim, quando neste tipo de artigos perguntam aos homens o que admiram nas mulheres, respondendo eles que é a inteligência e a sensibilidade e merdas do género, eu fico-me a contorcer que nem um porco antes da matança. As mulheres não são inteligentes, caralho. Os homens muito menos. Sensíveis? Foda-se, qualquer porco-espinho é mais sensível. Conseguem ser tão brutas como nós, embora o dissimulem melhor. Há, isso sim, mulheres muito inteligentes. A sensibilidade não refiro porque, no vácuo, é discutível se é uma qualidade. Na prática traduz-se num "magoaste-me os sentimentos, seu bruto", e o um gajo sempre "o que é que eu fiz? o que é que eu fiz? foi por não ter colocado por grupos os produtos no tapete da caixa do supermercado?". A típica gaja de Rabo de Peixe não é nem muito inteligente nem muito sensível, embora as possa lá haver (e já estou a tentar usar apenas um exemplo de um sítio remoto onde não deve haver internet, porque se digo tudo o que me apetece ainda começo a alienar leitoras).

Aquilo que eu mais gosto numa mulher são as mamas. Há quem goste mais de cu, e eu até respeito a escolha, embora não concorde. Os que dizem as pernas, já estão a tentar agradar a gregos e a troianos, não traindo a sua consciência na preferência pela carne, mas não querendo ser chamados de animais, porque um gajo a dizer MAMAS com a boca bem aberta e pinguinhos de baba a escorrer pelos cantos parece sempre coisa de primata. Uma cara bonita? Tudo bem. Todos os outros, ou pelo menos a maior parte, mentem descaradamente.

As borboletas no estômago são causadas, quase sempre, pelas primeiras impressões. Essas são quase sempre visuais. Se escutarem, e aqui sim, enquanto género, conversas entre mulheres acerca de homens ou entre homens acerca de mulheres, vão ouvir discussões sobre a beleza, sendo que o termo beleza nunca será utilizado, mas sim outros mais básicos. É sempre se elas são boas com boas tetas e pandeiros e se eles têm ombros largos e musculados, ganham bem e têm abonos de família capazes dos maiores feitos da história da virilidade. Se me cruzar com uma gaja boa, a tesão não me vem porque descobri que ela faz voluntariado, porque os seus ideais políticos estão alinhados com os meus ou porque tem uma bolsa de pós-doutoramento em nome de uma investigação fascinante. É porque é boa. Se for tudo o resto, melhor (quer dizer, menos a investigação, porque sou burro e nenhum gajo aguenta estar com uma gaja muito mais inteligente do que ele; limitamo-nos a fazer de conta que não existem). Se for burra que nem uma porta, ao menos o ser boa já ninguém lhe pode tirar, ainda que num período de limitado de tempo da sua vida. Agora, gajas feias a citar Kant, que eu saiba, nunca ninguém lhes pegou.

No artigo, um dos entrevistados respondeu "Admiro a forma ténue, o olhar e os gestos subtis que, sem necessidade de palavras, conseguem carregar uma força transformadora e me fazem querer ser um homem melhor." Já o Pedro Lima, por exemplo, abordou a pergunta da forma "Admiro a forma como acordam, como se movem, como respiram, como olham, como pensam, como agem, como sorriem, como choram, como sofrem, como sentem saudades… Como tornam a vida de todos nós mais bela." Todos os outros se perdem nestas poesias, mas não há um único que diga abertamente que a cena que mais curte são mamas. A sério, Pedro Lima? Acordar, respirar, mover, olhar? Logo tu... Gostas tanto de mamas como eu, não me fodas.

Mas qual é, afinal, o problema que toda a gente tem em responder com sinceridade a esta pergunta, desde que começamos a perceber que a igualdade de género era o caminho a seguir? O facto de eu gostar de mamas, não significa que seja incapaz de reconhecer e apreciar numa mulher outro tipo de qualidades mais cognitivas. Não acho redutora a minha opinião; quanto muito acho redutor daquilo que pensam sobre mim, por acharem que só gosto disso (...). Se eu dissesse que "gosto da maneira como me preparam uma sandes", percebia a indignação, mas as mamas? Pequenas ou grandes, esféricas ou pontiagudas são, de facto, cenas agradáveis  que só vocês têm (ou pelo menos não é bom quando não são só vocês que as têm).

A brigada do politicamente correcto está a destruir a hipótese de alguns referirem outros traços mais comportamentais porque realmente acreditam nisso, sem que sejam olhados com a mesma desconfiança com que eu o faço agora. Que o Valter Hugo Mãe diga que "Admiro que saibam o milagre dos filhos, que possam fazer duas coisas ao mesmo tempo e que, às vezes, me amem", eu percebo. Ele é um gajo porreiro, mas é um choninhas de nível quatrocentos. Agora tu, Pedro Lima?

7 comentários:

Anónimo disse...

Concordo plenamente, no que diz respeito a sexo somos como qualquer outro animal e é isso que conta à 1ª vista, o físico; para partilhar uma vida é outra coisa.

Be disse...

:) Gosto da sinceridade e até percebo porque é quue a maioria dos homens, porque ele há excepções, não goste de mulheres inteligentes. Mas não me vou dar ao trabalho de explicar, talvez não percebesse...
Gosto de vir aqui ler um burro que me faz rir, a maiora dos burros não me fazem rir, só fazem "IÓ IÓ".

PS - Borboleta... com dois Ós

Pedro M. disse...

Obrigado pela correcção, Be. Estou até tentado a apagar o comentário para toda a gente pensar que, quando me apelidei de burro, estava a ser 100% irónico. Quanto ao não gostar de mulheres inteligentes, expliquei-me mal. Todos os homens se sentem intimidados nalguma altura por mulheres inteligentes, mas só os unicelulares detestam que elas tenham essa característica.

A Mais Picante disse...

Isto é desconversa pura, vai daí que só vou fazer um pequeno reparo. Os homens não se intimidam com mulheres inteligentes a não ser que sejam uns asnos. Eles podem é intimidar-se com mulheres que não precisam deles, parecendo que não é muito diferente.

(já eu estou-me positivamente nas tintas para os ombros, gosto de olhos e de lábios. E de mãos, se bem que as mãos funcionam mais como inibidor que como polo de atracção)

Be disse...

Eu estava a brincar. A reter do comentário:
Gosto da sinceridade e gosto de aqui vir, o resto era pura ironia.

Rainha Ervilha disse...

Olha eu tenho um miúdo com 12 anos, que quando questionado por uma miúda (via troca de mensagens) do que é gostava mais numa mulher, respondeu " mamas e rabos". Eu achei aquilo um bocado grosseiro. Afinal, visto por este ponto de vista, foi honesto. E é assim que os tentamos educar, não é? Honestidade acima de tudo! ;)

Blackye disse...

Eu sou bastante infeliz dado que até que sou inteligente ... :( Mas ao menos agora já compreendo o porquê de meter medo, algumas vezes aos homens (até acrescentava "alguns" mas a minha sorte não é tanta). Ah, e não, não sou das que citam Kant...