quinta-feira, 21 de maio de 2015

#jesuisconstança

Inscrevi-me com o meu sobrinho para um torneio de PES 2015, que vai acontecer em breve na Fnac. Podia dar o post por terminado já aqui, visto estar já alcançado o valor médio de interesse de um post na blogosfera portuguesa. Considero, no entanto, ser necessário primar pelo valor acrescentado e introduzir algumas clarificações importantes.

Para começar, eu não tenho o PES 2015, nem terei. Recuso-me a comprar a versão dos pobres, para a PS3 e, quando puder comprar a PS4, já vai haver, de certeza, a de 2016. O meu sobrinho também não o tem, mas não tenham pena do fedelho. Ele sim, tem uma PS4, o grandessíssimo sacana.

Para treinar de vez em quando, restam-me duas opções: ou jogo o 2014, que tenho e onde investi bastantes horas da minha vida, ou a versão de demonstração do novo. Antes que algum herege o diga, não, não é a mesma coisa.

Eu sei que as hipóteses de ganhar o torneio são reduzidíssimas; isso não me preocupa, já que o reforço do laço familiar entre tio e sobrinho é bem mais importante do que o troféu, caso cheguemos juntos à final e ele leve uma data deles pela goela abaixo. Perder em si também não me aflige, é uma coisa que eu até domino bem. O problema é aquele espaço de tempo que medeia a confirmação de um resultado negativo e a redução do meu batimento cardíaco.

Quando jogo online, não costumo usar microfone e auricular. Isto é bom para mim, que não aturo palermas, e é excepcionalmente bom para os outros, que teriam de lidar com o pior bully da história. Se o meu adversário for bastante melhor do que eu, daqueles que com apenas um jogador marca golo ultrapassando todos os meus defesas numa sucessão de roletas e cuecas, ainda é como o outro. Quando ganho com facilidade idem, a sensação é proporcionalmente boa, mas nada por aí além. Serve, sobretudo, como aprendizagem. O pior é toda a zona cinzenta que está no meio.

Ilustrando melhor a situação, se eu falho um passe, sai um "foda-se". Se falho outro a seguir, sai "foda-se". Se me tiram a bola, vou ao chão e o árbitro não marca falta, sai um "foda-se filha da puta foi falta claríssima". Se marcam um canto e o Casillas, com a bola a descrever um arco perto dele, não sai com os punhos e deixa um gajo qualquer cabecear, sai um "ó que caralho meu cepo de merda só não saíste com os punhos porque já te esqueceste como é, à conta da gaja que tens em casa".

Já aconteceu estar a jogar online, num daqueles jogos quase de sentido único. Tenho muito mais posse de bola, faço mais ataques e remates, mas o outro punheta defende tudo, tudo, tudo. Quase no fim, num único contra-ataque, marca um golo ranhosíssimo numa daquelas confusões de pequena área, e eu fico a tremer, muito nervoso, a tentar controlar-me. Essa tentativa de controlo costuma demorar um segundo, acabando por me levantar ruidosamente e desejar que o adversário morra, não sem antes que a família dele morra toda primeiro para ele ter oportunidade de assistir. Acho até que uma vez fiz figas para que toda a Suiça fosse com os porcos. O nível mínimo da minha boçalidade situa-se, portanto, entre o supracitado "foda-se" e um mero "puta que pariu". E ainda dizem que não se aprende nada com o Jesus e o Lopetegui.

Do mesmo modo, sempre que marco um golo, é involuntário deixar sair um sonoro "chupa caralho". Quando marco um golo e quando alguém cai na rua. Se for um adulto, acho que ele percebe, que isto não é a brincar e a bola é para homens feitos e para a Brienne de Tarth. Já no caso de me calhar na rifa um puto de 12 anos que ainda não mudou de voz, se for o terceiro que ele sofre no espaço de 5 minutos, sabendo ainda por cima que os pais estão a ver o seu precioso e especial menino a jogar, esta conduta é capaz de ser pouco conducente ao bem estar e fairplay. Ou sou expulso do torneio, ou o puto chora, ou ando à porrada com alguém indignado. Talvez aconteça tudo ao mesmo tempo (e então se as pessoas não andam com uma crescente vontade de desancar em alguém, à luz dos acontecimentos das últimas semanas).

E eu até sou do Sporting. A malta parte umas cadeiritas de vez em quando, que o pullover às vezes cai ao chão do nervosismo que se nos assome quando ficamos arreliados com mais um empate que nos deixa mais longe das contas do título, mas é só para disfarçar. Não andamos por aí a roubar e a bater e a partir coisas às cegas. Eu devia ser mais civilizado do que isto. Aliás, e sou. Sou extremamente cordato em 99% da coisas que compõem a vida. Tinha logo de não o ser nisto. E a conduzir. E quando o sino da igreja não se cala numa feriado religioso. E quando não consigo passar por causa da puta da procissão que lhe está associada. Bem, mas isso é porque estou a conduzir.

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