sexta-feira, 15 de maio de 2015

O gang da Figueira

Padeço de um grande mal, que julgo ser comum a muita gente. Sempre que há polémica, perco demasiado tempo a ler comentários. Quando era pequeno, a doença que mais medo me metia era a lepra, porque tinha visto o Jeff Goldblum num filme a fazer de mosca e sempre assumi que era assim que se manifestava sempre, menos a parte de se andar no tecto. Ler comentários é uma espécie de lepra do cérebro. Quanto mais se lê, mais bocados do cérebro caem.

Na página do Nilton, julgo eu, alguém partilhou um clip da cabecilha do grupo (custa-me usar a palavra cabecilha, porque vem de cabeça e ali não há nenhuma) a dançar (se acharem que twerking é dança) ao som de uma dessas músicas brasileiras horrorosas em que o refrão só fala de bunda.

Por entre os comentários óbvios, em que todos descreviam o que é que fariam à moça & friends se os apanhassem a jeito, destacava-se um de uma rapariga indignada porque a visada não sabia como é que se fazia o twerk ou lá o caralho. Ai que quando se vai abaixo tem de se abrir mais as pernas, que assim é que é a maneira certa. E que para fazer aquilo era preciso ter rabo e ela não tinha e era só celulite (a última parte já não sei se foi a mesma pessoa a comentar, mas daria um lindo casal, no caso de não ser).

Não, filha. Não há maneira certa para o twerking. Correcto é não o fazer, tendo em conta que isso não é dançar, é só uma das mais primárias manifestações do bom gosto das barracas. Obviamente, são exactamente essas as pessoas que andam por aí num Fiat Punto a ouvir reggaeton aos altos berros. Nunca ninguém viu passar um Audi A5 a debitar Paganini, pois não? Nesse dia, o bullying, entre outras coisas, talvez já esteja perto de ser erradicado. Vamos é estar todos a tratar os nossos filhos na terceira pessoa e eles só se poderão chamar Tomás, Salvador ou Constança. Oops.


1 comentário:

Be disse...

Uma abordagem diferente e fantástica.