Até há uns meses atrás, eu era daquele tipo de pessoas (raras) que, ao fazer tostas (tostas a sério, não é pão com x), não barrava o pão com manteiga. Só agora percebi que isto era o mesmo do que ser engenheiro e não exercer, comer caldo verde sem chouriço ou ser um daqueles maridos que faz amor com a sua esposa e não lhe dá um tautauzinho pequenino no rabinho (o que por sua vez, é o mesmo do que não fazer amor).
Esta revelação aconteceu na segunda-feira passada e é de uma magnitude francamente superior à das aparições em Fátima, no caso de serem verdadeiras. Se o forem, seja como for, os 3 pastorinhos não sentiram o mesmo espanto e felicidade que eu senti ao comer a tosta que agora vos relato.
Não sou estranho a esta tosta. É denominada de "tosta gigante de cachorro". Já a tinha comido fora de casa mas, como ficou provado, se queremos uma coisa bem feita, temos de ser nós a deitar mãos à obra. É, no fundo, um trabalho de amor.
Peguei em duas fatias godzillescas de pão caseiro quentinho e barrei-as com manteiguinha. Depois forrei uma das fatias com um bocadinho de fiambre, mas só um bocadinho (não estou preparado para revelar o meu conceito de bocadinho). Feita a caminha de fiambre, pus em cima salsichas em quantidade suficiente, para que o pão ficasse coberto. Imaginem uma família pobre a morar numa divisão exígua, com uma cama correspondente. Com as salsichas é a mesma coisa, tirando o facto de cheirarem e saberem incomparavelmente melhor (e nem a filha de uma família destas, mesmo sendo maior de idade, se deve comer).
Não comecem já a correr para a cozinha, que ainda falta. As salsichas, mesmo tendo estado na frigideira, são coisinhas frágeis, que se podem constipar, caso a devida atenção não seja dada. Não podia pôr, sem mais nem menos, a fatia restante de pão em cima delas. Primeiro tapei-as com mais um bocadito de fiambre, aconcheguei-as bem e sussurrei: "Adoro-vos". Tapei-as com o resto do pão e fiz um momento de silêncio antes de começar a comer (uns 2 segundos), rezando para que fossem felizes na sua nova casa (ou casas).
Acho que já utilizei a mesma expressão aqui no blog, relativamente a uma sandes de ovo, mas aplica-se de novo. Foi uma tosta épica, a melhor da minha vida. Fica aqui, portanto, a minha sentida homenagem:
Nobre salsicha,
Alimento insubstituível,
De todas és a melhor xixa,
Para além de pouco perecível.
Mas depois de abrir a lata
Há que te dar destino.
Será uma tarefa ingrata:
Viajarás pelo intestino.
Esta revelação aconteceu na segunda-feira passada e é de uma magnitude francamente superior à das aparições em Fátima, no caso de serem verdadeiras. Se o forem, seja como for, os 3 pastorinhos não sentiram o mesmo espanto e felicidade que eu senti ao comer a tosta que agora vos relato.
Não sou estranho a esta tosta. É denominada de "tosta gigante de cachorro". Já a tinha comido fora de casa mas, como ficou provado, se queremos uma coisa bem feita, temos de ser nós a deitar mãos à obra. É, no fundo, um trabalho de amor.
Peguei em duas fatias godzillescas de pão caseiro quentinho e barrei-as com manteiguinha. Depois forrei uma das fatias com um bocadinho de fiambre, mas só um bocadinho (não estou preparado para revelar o meu conceito de bocadinho). Feita a caminha de fiambre, pus em cima salsichas em quantidade suficiente, para que o pão ficasse coberto. Imaginem uma família pobre a morar numa divisão exígua, com uma cama correspondente. Com as salsichas é a mesma coisa, tirando o facto de cheirarem e saberem incomparavelmente melhor (e nem a filha de uma família destas, mesmo sendo maior de idade, se deve comer).
Não comecem já a correr para a cozinha, que ainda falta. As salsichas, mesmo tendo estado na frigideira, são coisinhas frágeis, que se podem constipar, caso a devida atenção não seja dada. Não podia pôr, sem mais nem menos, a fatia restante de pão em cima delas. Primeiro tapei-as com mais um bocadito de fiambre, aconcheguei-as bem e sussurrei: "Adoro-vos". Tapei-as com o resto do pão e fiz um momento de silêncio antes de começar a comer (uns 2 segundos), rezando para que fossem felizes na sua nova casa (ou casas).
Acho que já utilizei a mesma expressão aqui no blog, relativamente a uma sandes de ovo, mas aplica-se de novo. Foi uma tosta épica, a melhor da minha vida. Fica aqui, portanto, a minha sentida homenagem:
Nobre salsicha,
Alimento insubstituível,
De todas és a melhor xixa,
Para além de pouco perecível.
Mas depois de abrir a lata
Há que te dar destino.
Será uma tarefa ingrata:
Viajarás pelo intestino.