segunda-feira, 23 de março de 2015

Se não precisasse tanto deles, arrancava-os

Já toda a gente sofreu por ficar com uma música ranhosa presa nos ouvidos durante horas a fio. O que não é comum é o efeito, para além de horas, durar três dias. Pior ainda é, em vez de uma, haver três músicas em repeat sequencial dentro da minha cabeça. Tendo em conta o gosto duvidoso das músicas que nos fazem perder a sanidade aos poucos, neste momento eu já só pedia que fosse uma combinação de qualquer coisa da Shakira, Enrique Iglésias e, quiçá, Xana Toc Toc.

Mas não, a mim tinha de me calhar o novo anúncio das Oreo (mostra-me como as separas lambes e mergulhas!), o genérico dos Olhos de Água, e o hino do novo movimento cívico dedicado ao preso político, perdão, político preso, José Sócrates, Sempre.

Para ir dar ai inferno não é preciso sair de casa, basta virar os olhos para dentro.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Nova descoberta pode levar a Prémio Nobel da Física

Ontem foi oficialmente validada a hipótese de poderem existir múltiplos universos. Ao contrário do que seria expectável, a descoberta não foi feita através da matemática, mas sim da internet. É que, se quase todos os pais são os melhores do mundo, não pode mesmo haver só um.

terça-feira, 10 de março de 2015

T(r)etas

A mim custa-me um bocado admirar o género por si só. Quando olho para a imensa fila de gajas à porta do Boticário, no Dia da Mulher, à espera de algo como um mísero amaciador enquanto a vida vai passando à sua volta, todas mal vestidas e ranhosas, custa-me admirar as mulheres. Do mesmo modo, quando meia dúzia de gajos, um bocadinho velhinhos demais para serem putos, entram no Continente com um rádio portátil aos altos berros a debitar o pior que se faz no hip hop português (também não é difícil, é quase todo mau; porque é que nos altos berros dos labregos nunca se vislumbra nada de mais erudito?), com os seus caps gigantes e as calças com o regueiro quase a rojar pelo chão, custa-me muito admirar os homens.

Eu tenho um fascínio pela vida que advém da tentativa de compreensão de todos os factos científicos necessários para explicar a sua existência, desde o Big Bang, as primeiras formas de vida e subsequente evolução. Já o conceito de pessoa num sentido mundano e lato, não me fascina minimamente, visto que a superação dos limites é a excepção, a média é a vulgaridade e, os piores, quando aparecem, são capazes das coisas mais nojentas.

Sendo assim, quando neste tipo de artigos perguntam aos homens o que admiram nas mulheres, respondendo eles que é a inteligência e a sensibilidade e merdas do género, eu fico-me a contorcer que nem um porco antes da matança. As mulheres não são inteligentes, caralho. Os homens muito menos. Sensíveis? Foda-se, qualquer porco-espinho é mais sensível. Conseguem ser tão brutas como nós, embora o dissimulem melhor. Há, isso sim, mulheres muito inteligentes. A sensibilidade não refiro porque, no vácuo, é discutível se é uma qualidade. Na prática traduz-se num "magoaste-me os sentimentos, seu bruto", e o um gajo sempre "o que é que eu fiz? o que é que eu fiz? foi por não ter colocado por grupos os produtos no tapete da caixa do supermercado?". A típica gaja de Rabo de Peixe não é nem muito inteligente nem muito sensível, embora as possa lá haver (e já estou a tentar usar apenas um exemplo de um sítio remoto onde não deve haver internet, porque se digo tudo o que me apetece ainda começo a alienar leitoras).

Aquilo que eu mais gosto numa mulher são as mamas. Há quem goste mais de cu, e eu até respeito a escolha, embora não concorde. Os que dizem as pernas, já estão a tentar agradar a gregos e a troianos, não traindo a sua consciência na preferência pela carne, mas não querendo ser chamados de animais, porque um gajo a dizer MAMAS com a boca bem aberta e pinguinhos de baba a escorrer pelos cantos parece sempre coisa de primata. Uma cara bonita? Tudo bem. Todos os outros, ou pelo menos a maior parte, mentem descaradamente.

As borboletas no estômago são causadas, quase sempre, pelas primeiras impressões. Essas são quase sempre visuais. Se escutarem, e aqui sim, enquanto género, conversas entre mulheres acerca de homens ou entre homens acerca de mulheres, vão ouvir discussões sobre a beleza, sendo que o termo beleza nunca será utilizado, mas sim outros mais básicos. É sempre se elas são boas com boas tetas e pandeiros e se eles têm ombros largos e musculados, ganham bem e têm abonos de família capazes dos maiores feitos da história da virilidade. Se me cruzar com uma gaja boa, a tesão não me vem porque descobri que ela faz voluntariado, porque os seus ideais políticos estão alinhados com os meus ou porque tem uma bolsa de pós-doutoramento em nome de uma investigação fascinante. É porque é boa. Se for tudo o resto, melhor (quer dizer, menos a investigação, porque sou burro e nenhum gajo aguenta estar com uma gaja muito mais inteligente do que ele; limitamo-nos a fazer de conta que não existem). Se for burra que nem uma porta, ao menos o ser boa já ninguém lhe pode tirar, ainda que num período de limitado de tempo da sua vida. Agora, gajas feias a citar Kant, que eu saiba, nunca ninguém lhes pegou.

No artigo, um dos entrevistados respondeu "Admiro a forma ténue, o olhar e os gestos subtis que, sem necessidade de palavras, conseguem carregar uma força transformadora e me fazem querer ser um homem melhor." Já o Pedro Lima, por exemplo, abordou a pergunta da forma "Admiro a forma como acordam, como se movem, como respiram, como olham, como pensam, como agem, como sorriem, como choram, como sofrem, como sentem saudades… Como tornam a vida de todos nós mais bela." Todos os outros se perdem nestas poesias, mas não há um único que diga abertamente que a cena que mais curte são mamas. A sério, Pedro Lima? Acordar, respirar, mover, olhar? Logo tu... Gostas tanto de mamas como eu, não me fodas.

Mas qual é, afinal, o problema que toda a gente tem em responder com sinceridade a esta pergunta, desde que começamos a perceber que a igualdade de género era o caminho a seguir? O facto de eu gostar de mamas, não significa que seja incapaz de reconhecer e apreciar numa mulher outro tipo de qualidades mais cognitivas. Não acho redutora a minha opinião; quanto muito acho redutor daquilo que pensam sobre mim, por acharem que só gosto disso (...). Se eu dissesse que "gosto da maneira como me preparam uma sandes", percebia a indignação, mas as mamas? Pequenas ou grandes, esféricas ou pontiagudas são, de facto, cenas agradáveis  que só vocês têm (ou pelo menos não é bom quando não são só vocês que as têm).

A brigada do politicamente correcto está a destruir a hipótese de alguns referirem outros traços mais comportamentais porque realmente acreditam nisso, sem que sejam olhados com a mesma desconfiança com que eu o faço agora. Que o Valter Hugo Mãe diga que "Admiro que saibam o milagre dos filhos, que possam fazer duas coisas ao mesmo tempo e que, às vezes, me amem", eu percebo. Ele é um gajo porreiro, mas é um choninhas de nível quatrocentos. Agora tu, Pedro Lima?

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Não doi mas irrita, não doi mas irrita

/gay mode on

Parem de dizer que é a segunda edição do MasterChef Portugal. De novo, parem de dizer que é a segunda edição do MasterChef Portugal! É a terceira, caralhos vos fodam! Terceira! O formato é exactamente o mesmo e o nome é o mesmo. Se em canais diferentes alguém filmar uma pessoa a andar na lua, continua a chamar-se andar na lua, não se passa a chamar afarfalhar o piruças.

 E, a julgar pela SEGUNDA EDIÇÃO, continuará a ser bem mais fraca do que a PRIMEIRA (grande Mauro e grande Luís!), que por sua vez já ficou alguns furos abaixo da versão australiana. Aliás, todas ficam abaixo do MasterChef Australia. Quem achar o contrário, deve ver os seus filhos retirados pela Segurança Social, visto estar completamente maluco da pinha e em risco iminente de se magoar a si ou a terceiros.

Pronto, lá vou eu ver croquembouches de 20 centímetros, todos tortos e sem creme, enquanto comida de todo o mundo com roupagem francesa é comentada sem o carisma a que Matt, George e Gary nos acostumaram (tu não Manuel Luís, ainda és aquele que se safa melhor).

/gay mode off

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

No Dia de S. Valentim...

... vou dirigir-me ao Vasco da Gama. Subo até aos cinemas, compro um balde de pipocas e fico-me por aí. Não faço tenções de comprar bilhete. Quero apenas sentar-me no átrio e ficar a observar as pessoas que escolheram ir ver as 50 Sombras de Grey precisamente no dia dos namorados. Era como se a folia do Carnaval tivesse começado mais cedo para mim.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Considero-me uma pessoa...

...educada e ponderada naquilo que é essencial. Gosto de futebol desde que me lembro de ser gente, embora só tenha começado a vibrar mais a sério desde a maioridade. Ainda assim, é um vibrar para dentro, que se fica a rir em nervoso miudinho quando o clube do coração marca golo, e a comprimir o maxilar quando a bola teima em não entrar na baliza certa, a dos outros. Não percebo os insultos entre adeptos, mesmo quando pertencem a clubes historicamente rivais, e fico contente por me limitar a apreciar o jogo pelo jogo, ficando fora dessas discussões sempre que possível. Compreendo que a minha condição de lagarto me condene a sofrer eternamente, apenas com alguns fôlegos de alívio de longe a longe, e não saberia ser adepto de qualquer outro clube.

Só consegui estar a par dos acontecimentos através da rádio, tendo perdido visualmente a primeira parte do jogo. Sentia que a coisa estava a ser muito disputada, ao ponto de ter de me concentrar para não desrespeitar os semáforos no caminho para casa. Parei o carro e ouvi os últimos minutos, para só depois sair e aproveitar o intervalo para preparar tudo e ver a segunda parte descansado. Apesar do domínio do Sporting nos segundos quarenta e cinco minutos, era apenas um avançar de linhas que não conseguia produzir oportunidades nem gerar muito espaço. Estava preparado para o empate. Até que deixei de estar preparado para o empate, após aquele golo que, embora surgindo de um atraso oferecido, não deixava de ser extremamente merecido.

E depois, aos 94 minutos, sucedeu o cocó. Ao ver a reacção efusiva da equipa do Benfica, seguida de uma espécie de mini volta de honra ao estádio, agradecendo aos adeptos o apoio naquele empate com sabor a três pontos, só me apeteceu desejar que todos os lampiões rumassem a sul, à procura dos africanos de maior envergadura, E SE ENGASGASSEM NAS PICHOTAS MAIS ABONADAS QUE, DEPOIS DE ENTRAREM COM SUCESSO NA BOCA, SÓ PARARIAM DEPOIS DE SAIR PELO CU, TAMANHA A DOR QUE ASNOS DESSA ESPÉCIE MERECEM SOFRER ATRAVÉS DE SEVÍCIAS DESSE TIPO, OU NÃO PASSASSEM DE MONTES DE ERVA DANINHA ARRAÇADA DE GENTE.

Mas fiquei-me apenas pela intenção. Não se chama nomes aos outros só porque se está arreliado, nem se deseja coisas tão negativas às pessoas, muito menos eu, que me considero uma pessoa educada e ponderada naquilo que é essencial.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

La Famiglia

Quando andava na escola primária, fazia constar da minha assinatura apenas cinco dos seis nomes que me foram dados após o nascimento. O nome omitido (penúltimo), quando isolado, apesar de não ser nada de especial, era um candidato ligeiro a alvo de chacota. Foi precisamente por isso ter acontecido que cedo o deixei de lado, remetendo-o apenas para situações em que era extritamente necessário assinar tal e qual como constava do bilhete de identidade antigo.

Acontece que, e só me apercebi disso há pouco tempo (apesar de me ter sido esfregado na cara várias vezes), o meu penúltimo nome ganha uma renovada genica quando se faz acompanhar exclusivamente do último.

Assim sendo, passei a assinar não com seis, não com cinco, mas com três nomes; Pedro e os dois últimos. De repente, dou por mim a obter resposta com maior celeridade e deferência por parte das instituições a que me vejo obrigado a contactar. Eles devem olhar para o tipo que se subscreve com os melhores cumprimentos e, sem o comprimento antigo do original (desculpa, mãe), deixando apenas a parte sonante, devem achar que sou alguém que merece respeito e/ou é mafioso em fato por medida. É que nem sequer foi preciso recorrer à repetição de consoantes ou a uma preposição. It just works.

Claro que, sempre que me faço anunciar junto da residência de Duarte Pio, volto aos seis nomes, pronunciados de forma muito lenta, para ver se a coisa rende mais.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Odeio...

...quando descubro algo de que gosto muito no blogue de alguém por quem não tenho qualquer tipo de respeito intelectual.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Se ler mais alguma vez...

... que a liberdade de uns acaba quando começa a dos outros, acho que vomito.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Mudança dos tempos

E eis que o novo "mas eu até tenho amigos homossexuais" afinal é "mas eu até acho que eles deviam ter tido mais respeito pelos muçulmanos".

Está tudo igual.

PS: Como é possível que uma pessoa que tanto apregoa o poder do perdão não seja capaz de um simples pedido de desculpas?